
Sempre surgem algum modismo teológico pernicioso, antibiblíco e inconseqüente e que, por ser diferente e portar rotulagem chamativa encanta, e em pouco tempo faz muitos adeptos.
Sempre encontramos dentro da família evangélica pessoas frustradas, traumatizadas, e outras em tratamento psiquiátrico, sem respostas para as crises da alma e tampouco resultado dos males que os afligem.
I – A partir de Êxodo 20:5 onde o Senhor disse: ‘’Não te prostrarás diante deles nem lhes prestarás culto, porque eu, o Senhor, o teu Deus, sou Deus zeloso, que castigo os filhos pelos pecados de seus pais até a terceira e quarta geração daqueles que me desprezam.’’, os expoentes da maldição hereditária desenvolvem uma interpretação (hermenêutica) em que julgam explicar a causa de orações não respondidas, bem como de acontecimentos fatídicos em sucessão como alcoolismo, prostituição ou enfermidades congênitas, asseverando tratar se de maldições herdadas que precisam ser interrompidas pelo ritual de orações especificas de quebra de maldição.
Para dar corpo a essa teologia, muitos recorrem a vários textos do Antigo Testamento, ignorando duas coisas fundamentais:
Primeira que o Antigo testamento trata com um povo oriundo de um patriarcado (Abraâmico) formando uma só família.
Segunda que esse povo era regido por uma lei especifica (Mosaica), cujo comprimento resultava em sanções positivas ou negativas (bênçãos ou maldiçoes), enquanto estava debaixo de um plano divino que não poderia ser frustrado.
Textos como Dt11: 26-29; Lv26: 39-42; Ml4: 6 e outros, são usados numa total deslealdade aos princípios hermenêuticos. Não consideram o contexto, o pano de fundo histórico cultural, os propósitos específicos de Deus em cada situação e, acima de tudo, o espaço indevido que esta pretensa teologia quer ocupar no escopo geral da doutrina que rege a fé cristã, dando-nos a certeza de que é presunção.
Vejamos algumas ilustrações para reforçar a pretensiosa teologia; A família de Max Jukes e Jonathas Edwards:
O primeiro, um homem perverso que desenvolveu uma linhagem de filhos, netos e bisnetos dados à bebedeira, a prostituição e ao crime.
O segundo o grande pregador, Jonathas Edwards, cujos descendentes se notabilizam pela fé, intelectualidade e a respeitabilidade ao contar, inclusive, com vice-presidente dos Estados Unidos.
Esse jogo de maldição e libertação desperta os seus membros sobre a cura interior, onde a pessoa tem que libertar através de lembrança e confissão de pecados guardados no inconsciente. Para dar curso ás origens, praticam regressão mental até a idade uterina. Outra prática é a de pronunciar bênçãos, pois creem que há poder mágico nas palavras. Se um pai, descuidado, numa hora de ira, disser ao seu filho que se recusa a fazer os deveres de escolares de casa: ”Você é um preguiçoso, o menino não vai ser nada na vida” o filho terá interrumpido à garantia do seu sucesso, a menos que em tempo esse pai se retrate e faça uma confissão positiva sobre o filho, pois a última declaração cancela a anterior. Se houvesse um poder mágico nas palavras, a língua teria sido consagrada para guerra dos interesses humanos e, a proposta de lúcifer (Gn3: 5) não seria um engodo e o homem seria como Deus. Em suma, seriamos poderosos iguais a Deus.
II – Esse ensino não é legítimo para igreja. Nenhum ensino destinado á vida da igreja deixa de constar no Novo Testamento, Jesus nunca exigiu que qualquer pecador que fosse a ele, renunciasse os pecados de seus ancestrais. O procedimento dos apóstolos foi o mesmo. Jamais tocaram neste assunto. Não é possível que o Espírito Santo tivesse omitido esta instrução. Não teria deixado este assunto no obscurantismo durante vinte e um séculos ou que tivesse revelado somente a alguns iluminados.
Segundo; assemelha-se a doutrina dos espíritas no que tange ao “carma” e a dos mormos que vasculham a história de vida dos antepassados a fim de se redimirem por eles pelo “batismo pelos mortos”.
Terceiro; para ser específico, o texto carro chefe Êxodo 20:5 maldição futura no caso de pecado de idolatria para com os descendentes de Abraão e que tratava de uma correção direta da ação de Deus e não de satanás. A lei visava coibir os crentes contra a possibilidade de se desviarem para outros deuses, mas: Cristo nos redimiu da maldição da Lei quando se tornou maldição em nosso lugar, pois está escrito: "Maldito todo aquele que for pendurado num madeiro" (Gl3: 13).
III – A Maldição no período profético.
Na visão dos profetas a crença na maldição hereditária teria sido desenvolvida como folclore (cultura popular espontânea) e não como revelação.
O profeta Ezequiel proíbe o povo de repetir o que ele chama de provérbio ou parábola: "O que vocês querem dizer quando citam este provérbio sobre Israel: Os pais comem uvas verdes, e os dentes dos filhos se embotam'? Juro pela minha vida, palavra do soberano, o Senhor, que vocês não citarão mais esse provérbio em Israel. Pos todos me pertencem. Tanto o pai como o filho me pertence. Aquele que pecar é que morrerá.” Ez. 18.
O profeta ainda reforça a negação divina dessa doutrina com uma ilustração de uma família de três gerações descombinadas. Um pai bom e cumpridor da lei, um filho mau e infrator da lei. E um neto anverso do pai. “Contudo, vocês perguntaram: porque o filho não partilha a culpa da culpa do seu pai? Uma vez que o neto fez o que é justo e direto e teve o cuidado de obedecer a todos os decretos do Senhor, com certeza ele viverá. Aquele que pecar é que morrerá. O filho (neto) não levará a culpa do pai, nem o pai levará a culpa do filho. A justiça do justo lhe será creditada, e impiedade do ímpio lhe será cobrada” Ez. 18.
O profeta Jeremias faz o mesmo e anuncia um tempo quando a lei da maldição hereditária seria trocada por uma aliança melhor, “naqueles dias não se dirá mais; os pais comeram uvas verdes. Esta é aliança que farei com a comunidade de Israel depois daqueles dias, declara o senhor: Porei a minha lei no intimo deles, e a escreverei nos seus corações”...
Jr. 31: 29 e33a.
Outro Grande exemplo está na história dos reis de Judá e Israel. Encontramos com freqüência sobre o comportamento ético espiritual de cada rei: Fez o que era reto aos olhos do Senhor e isto em simultaneidade nos herdeiros dos respectivos tronos. Nem sempre o filho era igual ao pai.”
Abrão, Isaque e Jacó, embora estivessem em condição privilegiada no plano de Deus, para com a nação especial que deles sairia, mentiram. Não foi com rituais de quebra de maldição que mudou, mas com a integridade moral na vida de José do Egito.
Conclusão:
A crença na maldição hereditária nega a eficácia do Calvário, desconfia dos efeitos do novo nascimento e desenvolve a superstição entre o povo de Deus. Isto reduz sua capacidade de pensar e de entender que as tais maldições relacionam-se a aspectos culturais familiares ou arquétipos genéticos quando se trata de enfermidades congênitas e não as forças ocultas que incidem espiritualmente sobre as descendências até ao instante de suas respectivas quebras.
O Apóstolo Paulo adverte sobre os cuidados de não sermos enganados com outros evangelhos, 2Co11: 3-4, e outras doutrinas, 1Tm 1:3-4. Ele assegura de que as coisas antigas já passaram e que surgiram coisas novas no processo da reconciliação por meio de Cristo, 2Co 5:17.
Aos irmãos convertidos do judaísmo a palavra foi taxativa: “sem fé é impossível agradar a Deus “, He11:4. O poder soberano de Deus é suficiente para libertar instantaneamente o físico e espiritual de qualquer pessoa não considerando pecados de ancestrais e sem precisar regressar aos antepassados.
Jose Martins.
